Ana Duarte, Diretora-Geral UN Lisboa da F. REGO, explica, na rúbrica Insur4You, a Relevância do Corretor de Seguros na Realidade Empresarial atual.

Procurando responder à questão com clareza, dividi-a em duas partes, abordando, primeiro, qual a relevância do Corretor de Seguros e, de seguida, que importância é essa na realidade empresarial atual.

A Missão de um Corretor de Seguros é de ser um consultor da empresa para a área dos seguros. Cabe-lhe, na prossecução dessa missão, identificar e avaliar os riscos humanos, patrimoniais, ambientais (e outros) da organização e apresentar soluções para a sua transferência para uma seguradora, mediante o pagamento de um prémio.

No diagnóstico dos riscos existentes e na proposta a apresentar para a sua transferência, é importante que se tenha a noção, por um lado, de que nem todos os riscos são transferíveis e, por outro, de que, dentro dos que o são, podemos optar por limitar a sua transferência.

Para além desta função de consultor, o Corretor tem também uma função de “tradutor” da linguagem utilizada pelas seguradoras, uma vez que esta, por vezes, não é inteligível para as empresas. Cabe ao Corretor utilizar uma linguagem clara e acessível na explicação aos clientes do funcionamento de uma apólice de seguro, designadamente do âmbito de uma cobertura e dos capitais que estamos a segurar.

Em suma, entendo que a relevância do papel do corretor reside na consultoria especializada que este está apto a prestar às empresas, procedendo a uma correta avaliação dos riscos da sua atividade e a uma adequada transferência desses riscos, visando proteger os recursos e a atividade da organização.
A segunda parte da questão reporta-se à relevância do Corretor de Seguros na realidade empresarial atual e esta chama à colação conceitos atualmente em voga, como o “mundo VUCA” e o “mundo Bani”.

O chamado “mundo VUCA” ou “VICA” em português (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade) evoluiu para um mundo “Bani” (Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible ou Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível) e essa evolução ocorreu também no universo empresarial.
Os avanços digitais, potencializados pela pandemia, comprometem o sentido que VUCA dava ao cenário mundial. Basta analisar as diversas áreas de negócios para identificar mudanças profundas na forma de fazer as coisas.

O Conceito BANI marca a passagem da volatilidade para a agilidade; da incerteza para a ansiedade; da complexidade para a não linearidade e da ambiguidade para a incompreensão.

A rapidez com que os cenários têm mudado levam as pessoas a sentir medo de perder o emprego do dia para a noite; as empresas trabalham com um planeamento pouco sólido e tanto umas como outras estão cientes de que tudo pode mudar a qualquer instante.

Este ano, a ansiedade foi o sentimento dominante para muitas pessoas. Afinal, as incertezas do mundo VUCA tornaram-se cada vez mais avassaladoras, gerando um cenário de medo, insegurança e impotência diante das mudanças. Essa ansiedade transforma-se facilmente em medo e influi nos processos de tomada de decisão, bloqueando as iniciativas e impactando a procura de novas soluções.

A não linearidade é marcada especialmente pela desconexão entre causa e efeito. A crise do Coronavírus e as mudanças climáticas são dois exemplos deste sistema.

Como aponta um artigo publicado pela MIT Sloan, estamos num mundo onde pequenas decisões podem trazer grandes resultados, enquanto um enorme esforço, colocado numa variável importante, pode gerar a total ausência de resposta.

Estamos num momento de profunda incompreensão que deriva, principalmente, do excesso de informação. A informação é tão extensa e processa-se com tanta frequência e rapidez, que muitos, simplesmente, não sabem como agir.

Mas este mundo “BANI” não pode ser dissociado da gestão baseada em riscos. Ao invés, num ambiente de incertezas devemos estar abertos às novas possibilidades, ser movidos pelo desejo e coragem de percorrer estradas nunca percorridas. Temos que nos procurar reinventar e compreender este mundo em que nos inserimos atualmente, enfrentando os diversos desafios e riscos.

Neste caminho, o papel do Corretor assume uma dimensão maior e torna-se central, uma vez que ajuda a prever os riscos e a protegê-los, procurando soluções inovadoras para as novas adversidades. Atua no aconselhamento para a tomada de decisão, em face das incertezas.

Ana Duarte