Leia na íntegra o artigo de opinião de Pedro Rego, intitulado “O cliente no centro: de prestador a consultor”, publicado na mais recente edição do Yearbook do jornal ECO, relativo ao ano de 2025:
Durante décadas, o setor segurador foi pautado por modelos operacionais rígidos, processuais e pouco centrados no cliente. Essa realidade tem vindo a mudar com celeridade.
O mercado evoluiu, tornou-se mais informado e mais exigente. Na área empresarial em particular, aquela que mais trabalhamos na F. REGO, sentimos, nos últimos anos, um crescente grau de sofisticação nas expectativas dos clientes. Conhecem melhor os seus riscos e realidades, comparam soluções, questionam coberturas e desafiam-nos a apresentar respostas com mais valor.
Esta evolução obriga-nos a assumir uma postura distinta daquela que caracterizou a prática do brokerage internacional: a experiência do cliente tornou-se absolutamente prioritária.
Hoje, a relação não se esgota na intermediação de produtos. O que existe é uma parceria estratégica, sustentada numa responsabilidade acrescida de compreender, avaliar e gerir riscos de forma informada, sustentada e preventiva.
Esta transformação é particularmente evidente para os profissionais do setor: já não basta apresentar opções ou fazer comparações de preço, passando a ser necessário construir uma visão global, estratégica e personalizada, de cada cliente e operação.
Na área da corretagem, temos de ser cada vez mais consultores e parceiros do cliente, na avaliação e gestão do risco
Para esta visão client-centric, a tecnologia desempenha um papel fundamental. Ferramentas baseadas em inteligência artificial, sistemas de análise preditiva e plataformas digitais permitem prestar um serviço mais rápido, mais relevante e mais eficaz. Os dados, quando bem utilizados, tornam-se um ativo central da experiência seguradora. Permitem-nos compreender em profundidade o perfil de cada cliente, antecipar riscos, ajustar coberturas com máxima precisão e apoiar decisões com base em cenários reais.
Aliada à inovação tecnológica, está à vista a mudança cultural que se tem vindo a consolidar. Acredito ser fundamental trabalhar de forma proativa, lado a lado com os clientes, orientando-os na tomada de decisão, com o objetivo de proteger o seu património, a continuidade da sua operação e a sustentabilidade do seu negócio.
Muitas vezes, as melhores decisões não são sequer as mais dispendiosas, são aquelas que melhor ajudam as Organizações. Temos de conjugar a necessidade e visão do cliente com o rigor técnico pelo qual pugnamos, conhecendo as regras de subscrição e os mercados internacionais.
Um novo paradigma de atuação que nos impele a desenvolver um conjunto de qualidades técnicas e humanas. Esta evolução exige um esforço contínuo de atualização e formação. Além do acompanhamento de novas ferramentas e processos, colocar o cliente no centro implica compreender o seu contexto específico, os seus desafios de negócio e os impactos que um risco mal gerido pode desempenhar.
Atualmente, a diversificação dos canais digitais de comunicação, além do próprio contacto humano, permite uma resposta mais ágil e adaptada, devendo haver uma preocupação contínua com a qualidade do aconselhamento e a personalização da solução. No entanto, a tecnologia não resolve tudo. A mudança constrói-se tanto com processos eficientes como com empatia, transparência e disponibilidade.
A capacidade de realmente gerar e acrescentar valor mede-se também pela antecipação. As empresas que conseguirem antecipar tendências de risco, como os cibernéticos, os climáticos ou os regulatórios, estarão mais bem posicionadas para apontar soluções e mecanismos de mitigação. O nosso papel passa, cada vez mais, por ser um radar estratégico, atento ao mundo.
É crucial, sem dúvida alguma, que o setor se desenvolva com esta visão integrada. O futuro estará nas mãos de quem transformar dados em decisões, mediação em consultoria e tecnologia em confiança. Quem for capaz de conjugar esta tríade de dimensões irá liderar uma nova era na indústria seguradora.
Por Pedro Rego, Administrador do Grupo REGO e CEO da F. REGO – Corretores de Seguros
