O Pestana Palácio do Freixo, no Porto, recebeu a primeira edição das “Conversas de Risco”, iniciativa da F. REGO que reuniu mais de uma centena de clientes para discutir as grandes tendências que impactam o setor segurador e a gestão de risco empresarial.
Num momento em que “vivemos tempos de instabilidade e incerteza, que acarretam novos riscos e ameaças”, o CEO da F. REGO, Pedro Rego, sublinhou que “é parte da nossa responsabilidade identificar e alertar os nossos clientes para este cenário, apontando soluções e mecanismos de mitigação”. A criação deste fórum, explicou, pretende “proporcionar a todos uma tarde de reflexão e discussão sobre a conjuntura nacional e internacional” com a contribuição de Paulo Portas, antigo Vice-Primeiro-Ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.
O líder da corretora assegurou que a iniciativa – à luz da forte adesão e envolvimento da audiência – “será, certamente, objeto de novas edições”.
Paulo Portas fez uma análise do panorama económico global, lembrando que “as preocupações dominantes, em termos internacionais, são óbvias. Primeiro, um tempo de incerteza, e a incerteza tem custos económicos, porque adia decisões, porque retira confiança”. Entre os temas abordados, destacaram-se o impacto das guerras comerciais nas cadeias de valor e a necessidade de previsibilidade para as empresas.
Para o responsável político, o enfraquecimento da escalada tarifária norte-americana traz algum alívio, mas a volatilidade continua a exigir soluções de proteção adequadas: “Eu acho que o que se deve pedir aos governos em matéria económica é que não atrapalhem”. “Não gosto nada de ver governos a fixarem os preços e a fixarem as produções. Isso são economias planificadas, nunca resultaram em parte nenhuma”, referiu.
Quanto ao comportamento económico de Portugal, Paulo Portas considera que tem sido “melhor do que a média da Zona Euro”. “Eu acho que passadas as eleições é preciso, provavelmente, olhar para a realidade económica global, olhar para as projeções que já foram feitas tanto pelo FMI como pela Comissão Europeia. E adaptar o cenário macroeconómico de um ponto de vista realista”, assinala. Por um lado, o Fundo Monetário Internacional desceu a previsão de crescimento para Portugal, por outro o mesmo relatório coloca o país numa posição “muito cimeira em capacidade de atração de investimentos”.
“Portugal terá no próximo ano uma dívida pública inferior à média da zona euro, o que é um enorme caminho feito e um grande serviço às gerações futuras” – lembrou Paulo Portas, reforçando a relevância de políticas de mitigação de risco adequadas à nova conjuntura.
Paulo Portas acredita que é necessário fazer uma adaptação ao cenário macroeconómico. “Do ponto de vista das condições de estabilidade política, eu acho que há menos instabilidade depois de o povo ter falado, comparando com a situação anterior. Porque as oposições terão que ter muito cuidado da próxima vez que acharem que precipitar eleições é uma ideia boa. Porque podem ser penalizadas”.
O ex-ministro indica que há mais economias com interesse além da chinesa e americana. “Há muito mais economias emergentes interessantes, cujo contributo relativo para o crescimento até ao fim desta década é muito elevado. E, portanto, eu estaria muito atento a países emergentes e economias emergentes que são abertas e que podem ser importantes para, por exemplo, os nossos exportadores”.
Notícia publicada no jornal ECO.
